Usando conteúdo pago para ‘enganar’ a Inteligência Artificial

Quando perguntadas sobre uma marca ou segmento de mercado, as LLMs (Large Language Models) utilizam majoritariamente informações de terceiros disponíveis na internet para validar sua resposta. Quanto maior a probabilidade da fonte ser isenta e ter autoridade sobre o tema, maior seu peso na formação desse resultado.
Mas com tanto conteúdo pago muitas vezes divulgado como editorial, não seria então relativamente fácil subverter essa regra e usar publicidade disfarçada para ‘influenciar’ as respostas das IAs? A resposta a essa questão é um pouco mais complexa do que parece à primeira vista, então vale irmos no detalhe.
A IA consegue diferenciar conteúdo pago do editorial?
Na maior parte dos casos, sim. E a tecnologia evolui de forma cada vez mais rápida neste sentido. As novas diretrizes de E-E-A-T do Google e os protocolos de treinamento de neutralidade (RLHF) aplicados pela OpenAI e Anthropic visam uma detecção de alta precisão na natureza comercial ou editorial/espontânea de cada conteúdo, por meio dos chamados ‘algoritmos de filtragem de viés’.
Entre os pontos analisados, estão ‘tags’ e ‘marcações’ que os sites precisam trazer em seus conteúdos. Eles são um padrão para o que é publicado na web e servem como ‘guias’ tanto para os buscadores convencionais quanto para as IAs – ou seja, quem não trouxer estes dados (entre eles se o material é pagou ou editorial) acaba ficando de fora das buscas. E os sites que tentam maquiar essas informações correm o risco de serem punidos/incluídos em listas de baixa credibilidade das IAs e buscadores.
Outro aspecto que as LLMs observam é o tom de voz e estilo utilizados. O uso excessivo de superlativos e adjetivos sem fundamentação reduzem a ‘nota’ de neutralidade do conteúdo. Assim também, a falta de uma visão crítica, como a comparação com outros serviços/produtos ou o posicionamento de um concorrente, que são padrão para a imprensa, são outro indicador da falta de neutralidade.
E, finalmente, a IA sabe diferenciar o domínio de veículos independentes de mídia e entende que eles separam, em seus sites, o que é puramente editorial (e normalmente está na Home ou em sessões ligadas a ela) do que é publicado como publicidade ou publieditorial. E, também aqui, banalizar o que é publicado misturando na mesma sessão conteúdo jornalístico e pago pode colocar o site como não crível para a IA.
Então é impossível enganar as LLM’s?
Eu não iria tão longe. Diria que é muito difícil e que ficará cada vez mais complicado ter um artigo pago avaliado como editorial. Para começo de conversa, ele precisa ser redigido com linguagem técnica ou jornalística, ‘simulando’ imparcialidade. E precisa ser postado como se fosse uma notícia ou artigo de opinião isento (mesmo que na forma de áudio ou vídeo). E, mesmo assim, correndo o risco de ser ‘desmascarado’ pela IA.
No final, acho muito trabalho (e investimento) para tentar substituir o trabalho do PR Digital. Especialmente quando se considera que a construção e manutenção desta ‘reputação junto à IA’ é, como no caso da reputação em geral, um trabalho de médio/longo prazo.
Guilhermo Benitez
Partner and CEO at Engaje!Comunicação




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